Entrevista com Lucivânia Santos: Esporte em destaque

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O Parabadminton é uma modalidade esportiva adaptada do badminton convencional. Foi reconhecido em 1996 pelos fundadores da Associação Internacional de Badminton para Deficientes e foi desenvolvido visando a oportunidade de pessoas com deficiência participarem do esporte. O professor Létisson Samarone (Diretor do Badminton Adaptado no Brasil), foi o responsável por trazer o parabadminton para o Brasil.

É uma modalidade que está em ascenção entre os esportes atuais e aqui na Universidade Federal de Sergipe (UFS), há um time de parabadminton que inclusive conquistou algumas medalhas em campeonatos por várias cidades.

Aqui na UFS há uma equipe de parabadminton (Equipe do Projeto Paradesportivo da Universidade Federal de Sergipe) e no DCOS temos a aluna de jornalismo, Lucivânia dos Santos, que faz parte do time de parabadminton e que é destaque na modalidade, inclusive na edição mais recente do campeonato de parabadminton, que aconteceu nos dias de 10 a 13 de novembro em Brasília, ela participou e conquistou uma medalha de prata na categoria dupla feminino. Conversamos um pouco com ela sobre a experiência dela com o esporte, confira abaixo.

DCOS: Como você conheceu o esporte e decidiu participar?

Lucivânia: Eu sempre gostei de esporte, mas achei que fosse impossível participar de alguma modalidade até porque não sabia que existia. Com um tempo soube que existia esporte adaptado para pessoas com deficiência, mas não sabia como poderia participar já que não conhecia quase ninguém com as mesmas dificuldades que eu. Quando vim estudar na UFS, ouvi falar sobre reabilitação através de um esporte, mas por causa dos meus horários não dei muita importância.

No final de 2014, conheci Maria Gilda, a treinadora. Ela me convidou para conhecer o projeto Paradesportivo, então eu modifiquei minha grade para poder ir visitar o projeto. Fui e gostei muito, pois comecei a conhecer mais meus limites, por exemplo, tocar a cadeira de rodas sozinha e ter mais independência. Lá eu conheci o tênis de mesa e a bocha, mas o que me encantou foi o parabadminton. Comecei brincando e em março de 2015 participei da primeira competição, o campeonato nacional, onde vieram os melhores jogadores do país. Quando vi isso me apaixonei mais ainda por esse esporte.

DCOS: Como funciona o esporte?

Lucivânia: Essa questão do funcionamento é meio complicada, pelo menos para o badminton porque o atleta tem que se filiar a um clube e pagar a anuidade do clube e da federação, cada um com valor diferente. Para participar de competições regionais, estaduais e nacionais é preciso pagar. Essa é a parte ruim porque o atleta tem que gastar o que não tem para poder investir, pois é difícil conseguir patrocínio logo e bolsa esporte não tem. Tinha o bolsa atleta, mas foi suspenso. No meu caso, complica porque na minha cidade não tem secretaria do esporte e eu não posso participar  da bolsa atleta de Aracaju e na universidade não tem bolsa para o projeto. Isso acaba desestimulando um pouco pelo fato de nem sempre ter condições pra pagar essas coisas.

DCOS: Como foi a sua adaptação ao esporte?

Lucivânia: No início eu tive um pouco de dificuldade porque não conseguia andar sozinha na cadeira. Mas com o decorrer dos treinos fui me adaptando e melhorando meu condicionamento físico. Fui tendo mais agilidade e facilidade de tocar a cadeira, tanto a minha de uso diário quanto a esportiva.

DCOS: Você já ganhou algumas medalhas, quantas possui no total? Como foi receber sua primeira medalha das competições?

Lucivânia: Tenho 18 medalhas. A primeira medalha foi incrível pra mim. Ainda mais na primeira competição de nível nacional e ganhei uma medalha de ouro na minha categoria.

DCOS: O que te motiva a participar desse esporte?

Lucivânia: Eu sou apaixonada por esse esporte! Praticando ele ou qualquer outro que a pessoa se identifique, faz com que a gente sinta mais vontade de viver, com garra e objetivos. Ele transformou a minha vida completamente. Conheci pessoas e lugares que eu nunca imaginei que poderia ver um dia, ganhei a liberdade que pensei que nunca teria. A emoção da competição é muito grande, chega a ser difícil descrever.

DCOS: Você tem algum objetivo com relação ao parabadminton?

Lucivânia: Então, assim como eu aprendi como forma de reabilitação, pretendo me dedicar ao parabadminton não só como atleta, sabe? Quero ensinar outras pessoas, para que elas conheçam esse lado de esportista que há em cada um e que ganhem mais independência.

DCOS: Que tal uma mensagem para os leitores?

Lucivânia: Bom, o que digo para os leitores é que: não desistam nunca! Independente de sua condição física invista seu tempo em coisas que realmente valem a pena lutar para conquistar.

Por motivos de saúde eu quase fui impedida de participar de competições e fiquei desesperada. Pedi a Deus para me ajudar a não sair do esporte porque o que seria de mim sem algo que me transformou tanto? Diante de tudo, eu não perdi minha fé e nem me entreguei e hoje estou aqui contando isso pra vocês. Então, façam o que querem fazer, tenham fé e foco e tudo dará certo, o que não pode é desistir, principalmente desistir de algo que nem ao menos tentou ainda.

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