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Bate papo com Tiago Rocha | DCOS

Bate papo com Tiago Rocha

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Thiago Rocha

Thiago Rocha

O estudante de doutorado e Mestre pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Thiago Ribeiro Rocha,           é aluno egresso do curso de jornalismo da Universidade Federal de Sergipe (2009). Como jornalista, trabalhou como editor do Caderno Municípios do Jornal Cinform. Agora, Thiago está de volta à UFS como professor substituto, ministrando aulas para os alunos do curso nas disciplinas Comunicação nas Organizações e Seminários Temáticos IV.

Thiago foi um dos 20 brasileiros selecionados pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para estudar, observar e cobrir as eleições americanas de 2008 (Universidade Estadual da Carolina do Norte) e foi vencedor do Prêmio Franklin Delano Roosevelt 2010 na categoria monografia com o trabalho Organizing for America: como o movimento de Barack Obama tem transformado a comunicação política e a mobilização social através da Internet.

Em entrevista ao site DCOS, Thiago conta um pouco sobre a sua jornada e retorno para casa, com toda uma bagagem de experiências. E, deixa dicas, é claro, aos nossos alunos. Confira abaixo!

 

O que o motivou a cursar jornalismo?

É muito comum que certas escolhas a gente acabe fazendo meio que por eliminação mesmo. Eu sempre gostei muito de escrever e queria um curso que também me desse a possibilidade de trazer algum retorno social, de modo que o jornalismo se impôs como a opção mais próxima em relação ao que eu parecia estar buscando. Até hoje eu ainda não sei direito o que é que eu estava buscando naquele momento, mas depois de muitas idas e vindas, muitas realizações e decepções, vejo que, embora tenha passado um tempo um tanto distante do jornalismo, fiz a escolha certa: afinal, foi exatamente isso que me possibilitou ter várias experiências diferentes que hoje me dão muita segurança, inclusive, para saber dos meus limites em relação à própria profissão – o que ela tem sido capaz de me proporcionar e o que não. Então é isso: o curso me abriu muitas portas, mas, o mais importante, me proporcionou a maturidade de ter muito claro em quais dessas portas eu queria entrar e quais delas eu gostaria de “fechar”, ao menos temporariamente.

 

Fale um pouco da sua experiência na cobertura das eleições americanas de 2008.

Foi uma experiência muito legal, tanto no sentido pessoal quanto no jornalístico e no acadêmico. No primeiro caso, por vivenciar toda aquela intensidade de acontecimentos in loco e com um grupo muito bacana. No segundo, por ter a oportunidade de “testar” meus “dotes” como correspondente internacional – algo que naquele momento me interessava bastante –, e o melhor de tudo, fazendo as coisas do meu jeito, respeitando o meu estilo de abordagem e de escrita. No terceiro, enquanto que saí daqui ainda com muita dúvida em relação ao que iria pesquisar no TCC que se aproximava, foi ali que eu pude ter clareza do que eu queria estudar, e daí em diante fui apenas aperfeiçoando isso. Tanto que quatro anos depois, exatamente no ano da reeleição de Obama, eu retornei aos EUA para realizar a minha pesquisa de mestrado, mas numa perspectiva completamente diferente: para estudar o movimento Occupy Wall Street desde dentro. Ou seja, se em 2008 eu fui acompanhar aquela eleição histórica pelas vias da política formal, institucional, em 2012 eu voltei para analisar os desdobramentos daquela eleição que acabou frustrando tanta gente, mas dessa vez a partir de um movimento que desde o início se colocou como uma reação radical a essa concepção mais fechada de política, incapaz de dar uma resposta efetiva às demandas da sociedade. E agora no doutorado ainda trago essas experiências como um grande ponto de apoio para fazer minhas reflexões.

 

Ao retornar para a UFS, agora como professor, na sua concepção o que mudou no curso de jornalismo em relação a sua época de estudante?

Para falar a verdade, eu ainda estou me “reambientando”, por assim dizer. Mas, para além das coisas mais óbvias, como o prédio e as várias caras novas entre os professores, acho que estou sentindo uma integração maior entre docentes e discentes, o que fica bem evidente em eventos como o In-Comunicações, por exemplo.

 

Por que decidiu seguir carreira acadêmica?

Como eu deixei apenas implícito na primeira resposta, na prática eu acabei tendo algumas frustrações com o jornalismo que me fizeram parar para pensar em possíveis saídas para potencializar o que eu acho que sei fazer e que talvez não estava tendo muito espaço no mercado jornalístico. Foi aí que eu decidi dar essa guinada para a área acadêmica, meio que para me testar um pouco, no que aos poucos acabei me distanciando bastante do jornalismo, inclusive em termos acadêmicos. Embora tenha minhas ressalvas também com algumas questões dentro da academia, no fim das contas posso dizer que agora encontrei o meu lugar dentro dela e hoje tenho muita segurança a respeito do que quero, do que sei e do que posso fazer como professor e como pesquisador. E o mais legal de tudo é que esse retorno às minhas “origens” – faz exatamente 10 anos que eu entrei no curso de jornalismo – tem sido muito importante também para me reaproximar da comunicação como um todo, o que amplia ainda mais as minhas possibilidades de atuação profissional. Sabe quando você decide mudar radicalmente e durante o processo acaba indo tão “longe” a ponto de dar um giro de 360 graus ao invés de 180? Bom, foi mais ou menos isso que aconteceu comigo em relação à minha formação.

 

Deixe um recado para quem está entrando na carreira.

Acho um pouco complicada aquela ideia um tanto comum de tentar generalizar as infinitas possibilidades que o mundo pode nos abrir a partir da experiência de uma pessoa específica. Mas o que eu posso dizer aqui, com todo o cuidado de não resvalar em nenhum tipo de fórmula, é o que eu sempre digo aos meus alunos: nunca se rendam completamente ao “pragmatismo da sobrevivência” para o qual o mundo contemporâneo tenta cada vez mais nos empurrar. O que eu percebo é que no primeiro período os alunos geralmente entram com muita vontade de mudar o mundo, exalando utopia em relação à profissão, mas, ao longo do curso, muitas vezes acabam se frustrando e abandonando boa parte desse espírito, até porque ninguém vive simplesmente de sonho, e, obviamente, é preciso encontrar uma forma de sobreviver nesse mundo cada vez mais difícil e inseguro, com cada vez menos espaço para certos romantismos. Então o que eu posso sugerir é isso: aprendam a se virar muito bem, se esforcem para serem excelentes profissionais, mas nunca abandonem completamente certos princípios, essa vontade de mudar, de fazer diferente. Em suma, encontrem os limites de vocês – no mercado ou na academia –, potencializem as suas capacidades e tentem sempre se respeitar antes de se resignarem completamente diante das dificuldades. Uma hora as coisas se ajeitam e a gente encontra uma forma de unir sonho e realidade, utopia e pragmatismo, realização e sobrevivência.

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