Ben-Hur Correia: Sem fronteiras

notíciasComentários desativados em Ben-Hur Correia: Sem fronteiras

benhureditada

 

Como exemplo de dedicação, perseverança e sucesso aos que almejam, principalmente, o jornalismo televisivo, o repórter da SporTV/ TV Globo, Ben-Hur Correia (egresso do curso de jornalismo da UFS em 2008) , revela o que o motivou a escolher esta profissão e nos conta um pouco sobre o seu percurso. Confira, abaixo, sua entrevista ao site DCOS.

 

 

 

O que te levou a cursar jornalismo? E, mais especificamente, a seguir a área esportiva?

A ideia de cursar jornalismo começou a passar pela minha cabeça quando eu estava no primeiro ano do ensino médio. Fiz alguns testes vocacionais que apontavam meu lado investigativo como algo que eu deveria explorar, e jornalismo se encaixava bem no meu perfil. Aí comecei a pesquisar sobre a profissão. No ano seguinte acabei passando por uma experiência que ressaltou essa vontade. Eu estava em uma excursão do colégio quando um dos ônibus que carregava meus amigos bateu de frente com outro perto da entrada de Itabaiana, era 17 de novembro de 2002. Alguns amigos morreram, e vários outros ficaram gravemente feridos, e lembro-me de ter visto a Carla Suzane, da Tv Sergipe, perto do local do acidente um pouco antes de eu sair de lá. Durante a madrugada do acidente fiquei acompanhando tudo pelo rádio, e depois segui a cobertura nacional do caso e o que me chamou mais atenção é que todos, sem exceção, falavam como se os mortos fossem números. “Morreram 22, mais de 70 feridos” e citavam os nomes. E eu queria que o mundo soubesse que além daqueles nomes de mortos e feridos existiam histórias, amigos, adolescentes cheios de sonhos que tinham acabado de descobrir que não eram imortais. Queria contar a história deles. Lembro que me prometi que tentaria ao máximo humanizar aquelas histórias. Quando prestei vestibular tentei pra Jornalismo e pra Cinema, e acabei passando em Jornalismo na UFS. Antes de me matricular fui até o departamento conversar com o professor Josenildo Guerra pra saber se estava realmente fazendo a coisa certa. Depois de 30 minutos de conversa e dele me mostrar todos os prós e contras eu estava convencido de que seria interessante embarcar no curso.

A opção pelo ‘esporte’ nem foi bem uma opção. Eu sempre gostei mais de política e de tecnologia. Mas as oportunidades acabaram se abrindo pra mim no jornalismo esportivo, e como eu sempre pratiquei esportes e tenho familiaridade com radicais acabei me encaixando bem.

Como é fazer jornalismo esportivo?

Na minha percepção o que difere o jornalismo esportivo de outras especialidades da prática é a liberdade de linguagem. A gente pode transitar na fronteira do jornalismo e do entretenimento sem culpa alguma, no que se convencionou chamar de info-tainement. Trabalhar com a liberdade de criação de linguagem e podendo me aprofundar em personagens ricos como são vários dos atletas de alto rendimento é um dos pontos mais interessantes do esporte. Ao mesmo tempo nós continuamos tendo que ter o rigor da informação exata, o cuidado com a apuração e a preocupação com a linguagem acessível, principalmente quando estamos lidando com temas que são serviços (como a venda de ingressos pras Olimpíadas, por exemplo).

O mestrado, que está cursando, é uma demanda do mercado de trabalho ou se interessa em seguir carreira acadêmica (também)?

Eu cursei o Mestrado em Jornalismo da UFSC, mas não concluí. Acabei não entregando a dissertação final. Esse é um projeto que ainda tenho que fechar. Acho que hoje em dia é sim uma demanda de mercado se você mira cargos superiores dentro de grandes organizações. E mais do que carreira acadêmica, acho que a contínua pesquisa da área faz parte do perfil dos jornalistas contemporâneos.

Conte um pouco da sua trajetória até chegar ao Sportv.

Em seis anos minha vida mudou muito. Comecei a estagiar a partir do quarto período. No começo fiz estágios voluntários em alguns eventos da cidade, como o festival de cinema Curta-SE. Ao mesmo tempo fundei com amigos da turma de jornalismo um site de reportagens chamado Sergipe In Foco. Era um projeto pra treinarmos a reportagem na pratica, sem depender das disciplinas da faculdade ou de algum estagio específico. A gente tinha liberdade de pauta, de edição e de veiculação, mundo dos sonhos pra estudantes idealistas, muito do que a gente era na época. Deu certo por dois anos até o momento em que cada um começou a entrar no mercado de trabalho. Em paralelo ao projeto do SIF comecei a estagiar remuneradamente. Primeiro na Assessoria de Comunicação da própria UFS, sob o comando do prof. Josenildo Guerra, e depois passei na seleção de estagio da Infonet, chefiado pela Raquel Almeida. Foi no portal que comecei a desenvolver algumas habilidades de transmídia e de reflexão sobre o processo de produção do jornalismo. Quando me formei em 2008 a Infonet me propôs a contratação como jornalista, mas eu já queria partir pro mestrado. Ainda fiquei no portal por quatro meses, mas acabei abandonando pra cursar uma disciplina isolada do mestrado em jornalismo da UFSC em Florianópolis. Durante o segundo semestre de 2008 fiquei na ponte aérea entre Floripa e Aracaju, porque estudava lá, mas trabalhei na campanha de eleição de Edvaldo Nogueira pra prefeito de Aracaju, só com o conteúdo digital. Até então nunca tinha trabalhado com televisão e nem tinha essa pretensão. Minha experiência e minha formação me guiavam para o digital. A seleção do mestrado em Florianópolis só aconteceria em junho de 2009, e decidi não fazer outra disciplina isolada no primeiro semestre. Queria me dedicar aos estudos da seleção em Aracaju, com meus pais. Em Janeiro um amigo de faculdade que sabia que eu estava na cidade perguntou se eu não me interessava por uma vaga no caderno de esportes do Cinform. Nunca tinha trabalhado com esporte, embora sempre tenha praticado atividades físicas, mas como precisava de alguma renda eu topei. Comecei como editor do caderno Líder em fevereiro e tentei algumas reformulações que deram muito certo no Caderno. Outros pontos nem tanto, como a vez em que decidi colocar na capa a noticia da etapa do Circuito Nordestino de surfe que acontecia em Aracaju. Os leitores de futebol não gostaram muito. Rs. Passei na seleção de mestrado em junho de 2009 e me mudei pra Florianópolis. No segundo semestre cursei as três disciplinas que faltavam para os créditos totais do curso, porque queria ter um ano e meio livre pra dissertação. Mas em setembro minha irmã Janaina, publicitaria, me falou de um processo seletivo dos canais Sportv para jovens jornalistas, o Passaporte. A ideia era contratar jornalistas recém-formados para trabalhar como correspondentes durante seis meses em algum país do mundo, cobrindo a repercussão da Copa da África do Sul de 2010. Como eu ainda não tinha uma experiência internacional, e sentia que esse era um dos pontos fracos no meu currículo, decidi me candidatar mesmo eu com baixas pretensões. Depois de quatro meses de seleção e vários testes acabei fazendo parte da turma de 11 jovens jornalistas do país inteiro selecionados pra ser a primeira turma do projeto. Fui enviado pra França e fiquei seis meses morando em Paris e cobrindo Inglaterra, Suíça e Holanda.

IMG_2721

Ben-Hur entrevistando o surfista Filipe Toledo

Deixe um recado para quem está entrando na carreira.

Pense grande. Você não tem a dimensão do seu real potencial até testar ele no limite, em condições extremas. Hoje em dia existem programas interessantes de recrutamento de trainees nas maiores empresas de jornalismo, como Folha, Estadão, Grupo Abril e Rede Globo. Esse pode ser um dos caminhos, mas não é o único. Por que não trabalhar em uma multinacional? Passar dois meses mochilando pela América Latina e produzir um livro sobre a jornada? Montar um site ou uma conta no Medium pra trabalhar de forma independente, como o coletivo ‘Jornalistas Livres’? Ou elaborar sistemas de computador para jornalismo? As possibilidades são inúmeras, é só uma questão de entender as oportunidades e se preparar muito bem para elas.

Comments are closed.

  • Agenda

    No Upcoming Events found!

© 2015 DCOS UFS. Todos os direitos reservados.