Oficina “Mídia e Etnia” aborda desconstrução de estereótipos

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Por Caroline Matos

A oficina “Mídia e Etnia”, realizada na última quinta-feira, 14, marcou o penúltimo dia da Mostra In-Comunicações, trazendo debates sobre problemas raciais e a relação com a mídia brasileira. Ministrada por Laila Oliveira, a oficina contou com exposição de imagens e vídeos relacionados ao tema, abordando não só a exclusão dos negros na mídia, mas a hipervalorização da sexualidade sofrida pela mulher negra, trazendo contextos históricos e dados quantitativos para discorrer sobre o assunto e analisar as perspectivas.

Ao problematizar a participação de negros nas novelas e filmes, Laila expõe aos ouvintes da oficina como os estereótipos negativos podem reforçar o racismo entre os receptores das mensagens, a diminuição dos direitos e a pejoratividade da raça negra, uma vez que a mídia impõe essa suposta inferioridade, apesar de o Brasil ser um país plural.

Ao ser inquirida sobre como seus estudos sobre o tema foram iniciados, Laila conta que além de o problema estar muito associado à sua própria vivência enquanto mulher negra e como ela se vê na sociedade, as militâncias dentro da academia a influenciaram nesse caminho de análises de representações e debates. “Foi muito importante, motivador, o In-Comunicações abrir esse espaço para discussão de mídia e etnia. A comunicação é uma plataforma muito importante nas relações sociais, e a academia tá reconhecendo isso”, afirma Laila.

A ministrante propôs aos participantes da oficina que, após verem materiais informativos referentes aos temas raciais, elaborassem manualmente um material em cartolina, com o intuito de estimulá-los a pensar em uma forma de chamar a atenção de outras pessoas à importância da desconstrução do racismo e da sexualização da mulher negra na sociedade e na mídia. Empolgados, os ouvintes se dividiram em grupos e compartilharam ideias para a elaboração do material. Ao final da oficina, os cartazes foram expostos no Centro de Cultura e Arte (Cultart), local do evento. “Eu gosto da mobilização, das causas, das políticas públicas, e escolhi essa oficina por ela ter me chamado a atenção. Essa atividade que fizemos foi muito importante, porque mexeu com nossa consciência, saímos do papel de expectador e passamos a transmitir mensagens”, conta Anderson Madureira, aluno de Audiovisual.

A oficina também contou com a participação de Geilson Gomes, que faz um trabalho colaborativo na revista Rever, configurada como mídia alternativa, para falar um pouco sobre sua experiência e o papel das mídias alternativas enquanto meios de desconstrução de estereótipos, para os ouvintes. “Geralmente quando se discute a questão do negro, é apenas no dia vinte de novembro, infelizmente. Aí falam do jornalismo e o negro, do teatro e o negro, da TV e o negro, e terem colocado um debate desse, numa semana como essa, é muito importante para os estudantes” afirma Geilson.

Dona de um olhar marejado em alguns momentos, a ministrante levou a todos presentes a vontade de mudar a atual realidade, de debater fora daquele espaço, de conhecer os pontos que devem ser modificados e como começar a revertê-los. A experiência foi construtiva para os participantes, segundo os mesmos.

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